Teorias de Enfermagem

 

A forma como eu compreendo as Teorias de Enfermagem, é que estas constituem a base teórica da profissão, uma base de conhecimento direcionada para o processo de enfermagem e que implica a definição de conceitos e de pressupostos, alguns já conhecidos outros nem tanto e das relações que estes estabelecem uns com os outros. Atualmente o Metaparadigma da enfermagem assenta em quatro conceitos principais, que se relacionam entre si: enfermagem, pessoa, saúde e ambiente, todos eles abordados nas teorias existentes, embora de diferentes perspetivas.

Foram as Teorias de Enfermagem que permitiram estruturar e organizar o conhecimento em enfermagem, bem como uma forma metódica de colheita de dados com o objetivo de descrever, explicar e prever a prática. Determinam e esclarecem a enfermagem e a finalidade das práticas realizadas, distinguindo-a de outras profissões. (McWen & Wills, 2009)

Mcwen & Wills (2009, p98) referem que “As teorias não são descobertas; ao contrário, são inventadas para descrever, explicar e entender os fenómenos ou solucionar os problemas”; e ainda que “O desenvolvimento da teoria procura ajudar o enfermeiro a entender a prática de maneira mais completa e discernível e proporciona um método de identificação e de expressão das ideias-chave sobre a essência da prática”.

A Teoria de Enfermagem que estudei no contexto desta unidade curricular, foi a Teoria do Défice do Autocuidado de Dorothea Orem, uma teoria desconhecida por mim até então, apesar de estar familiarizada com pelo menos um dos conceitos principais que a constituem, nomeadamente com o conceito do autocuidado, talvez por este estar incluído na linguagem CIPE.

Esta teoria, é composta por três teorias relacionadas entre si, a teoria do auto cuidado (pretende descrever como e porquê as pessoas cuidam de si próprias), a teoria do défice do autocuidado ( pretende descrever e explicar a razão de alguém necessitar de cuidados de enfermagem) e a teoria dos sistemas de enfermagem (pretender descrever e explicar as ralações que têm de ser estabelecidas para que se prestem cuidados de enfermagem) , sendo que tem como principais conceitos o autocuidado, o défice de autocuidado e os sistemas de enfermagem. (Taylor, 2004)

A teoria de Dorothea Orem assume um papel importante em diversas dimensões, nomeadamente orientação do conhecimento e da prática dos cuidados de enfermagem, no ensino e gestão da profissão, servindo também de base ao desenvolvimento de outras teorias e de vários estudos. Foi enriquecedor fazer um trabalho sobre esta teórica, no sentido em que conduziu á reflexão sobre conceitos que estão presentes na nossa prática, mas aos quais dão se dá a devida atenção, bem como a forma como estes se relacionam.

Gostaria de partilhar o trabalho de grupo realizado sobre a Teoria do Defice do Autocuidao, no contexto desta unidade curricular referente ao tema: Teorias em Saúde Mental.



Gostaria ainda de fazer referência a uma entrevista realizada a Dorothea Orem, que melhor que ninguém aborda de forma simples e clara no que consiste a sua teoria e que está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fzBIx2u1TuM

Apesar de o trabalho que realizei ter sido sobre a Teoria do Défice do Autocuidado, gostaria de fazer uma breve abordagem á Teoria das Relações Interpessoais de Hildegard Peplau.  Considero que esta teoria é muito relevante na área da psiquiatria e saúde mental pois tem como foco as relações que se estabelecem entre o enfermeiro e o doente, componente essencial na relação de ajuda. Peplau, identificou quatro fases nos relacionamentos interpessoais, que eu automaticamente associo ás fases que compõem a relação de ajuda.

McWen & Wills (2009, p332) referem que “Para Peplau, o papel do enfermeiro é ajudar o paciente a diminuir a insegurança e melhorar o funcionamento por meio dor relacionamentos interpessoais”.

As quatro fases da relação enfermeiro- doente são descritas por Peplau como sendo independentes, mas que se vão sobrepondo ao longo da relação: a fase de orientação na qual o doente é ajudado pela enfermeira a reconhecer e compreender o seu problema e a determinar a sua necessidade de ajuda; a fase da identificação na qual o doente se identifica com quem o pode ajudar; a fase da exploração na qual o doente tenta retirar da relação tudo o que lhe vai permitir solucionar o seu problema e a fase da  resolução na qual o doente consegue satisfazer as suas necessidades e abarca novos objetivos. (Howk, 2004)

Gostaria de referir uma entrevista realizada a Hildegard Peplau, na qual esta aborda vários aspetos relacionados com a sua teoria e que está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Zz5Wlu05VH4





BIBLIOGRAFIA

Howk,C. (2004). Enfermagem psicodinâmica (5ªed). In Tomey, &Alligood, Teóricas de enfermagem e sua obra (423-444). Lusociência

McWen, M., Wills, E.M. (2009). Bases teóricas para a enfermagem (2ºed). Artmed





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