Determinantes sociais e económicos em saúde mental
Disponível em: https://renastonline.ensp.fiocruz.br/temas/determinantes-sociais-saude
A Organização Mundial de Saúde (2002), define a saúde mental como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”.
Atualmente, os problemas de saúde mental
são uma das principais causas de incapacidade, morbilidade e morte prematura na
sociedade em que estamos inseridos, havendo necessidade de respostas adequadas
e atempadas às necessidades da população. Tal como vem referido no Decreto-Lei
nº 113/2021 (2021, p.104) “a saúde mental é uma componente fundamental do
bem-estar dos indivíduos e as perturbações mentais são, de entre as doenças
crónicas, a primeira causa de incapacidade em Portugal, justificando cerca de
um terço dos anos potenciais de vida perdidos”.
De acordo com esta realidade, o
conhecimento que se possui acerca dos determinantes em saúde mental, torna-se essencial,
no sentido em que vai orientar e delinear as intervenções a serem planeadas na
área da promoção, da prevenção e na elaboração das políticas de saúde. As
condições sociais e económicas da população vão influenciar a necessidade de
cuidados médicos e a possibilidade de adoecer, condicionam a saúde mental de
tal forma que se podem considerar com o estando na etiologia da própria doença.
Assim sendo, atuar nesta área constitui um desafio e uma responsabilidade
acrescida para os profissionais de saúde.
De entre os vários determinantes sociais
e económicos em saúde mental, destacam-se: desemprego ( associado a maiores
níveis de doença e mortalidade precoce), educação (quanto maior o nível de
educação, menor a incidência de perturbação mental comum), pobreza (maior
dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, maior exposição a fatores de vida
stressantes, prognóstico mais negativo em caso de doença mental), condições de
habitação ( uma habitação com condições favorece o bem estar físico e
psicológico), urbanização ( viver num meio urbano, acarreta maior risco de
desenvolver uma doença mental do que viver em meio rural), descriminação sexual
e violência de género, experiências precoces e ambiente familiar ( por exemplo
gravidez, violência domestica e consumo de álcool ou de outras drogas) ,
exclusão social e estigma, cultura e acontecimentos de vida stressantes (Alves
e Rodrigues, 2010).
Perante
o exposto, os profissionais de saúde, principalmente os que atuam na área da
saúde mental devem manter-se atentos aos determinantes de saúde mental que
possam estar presentes numa determinada família ou comunidade, no sentido de
planear e implementar estratégias que promovam a saúde mental e previnam o
aparecimento da doença. Percebe-se a pertinência de trabalhar a saúde mental
não só com o doente, mas com a família e com a comunidade, de forma a conseguir
mudar os comportamentos e o ambiente. É imperativo trabalhar a saúde mental na
comunidade! E aqui questiono se os governantes estão dispostos (se têm a
coragem política), a realmente implementar as medidas necessárias para que seja
possível realizar um trabalho com resultados efetivos a este nível.
Segundo o regulamento nº 515/2018 de competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica, publicado no DR, 2ª série - nº 151 de 7 de agosto de 2018, este, tal como descrito no artigo 4º, d) “Presta cuidados psicoterapêuticos, sócio terapêuticos, psicossociais e psicoeducacionais, à pessoa ao longo do ciclo de vida, mobilizando o contexto e dinâmica individual, familiar de grupo ou comunitário, de forma a manter, melhorar e recuperar a saúde".
Como
refere Oliveira (2020, p64), “cabe aos enfermeiros um papel essencial na
definição de programas da saúde mental e prevenção da doença mental, objetivos
e direcionados especificamente para os determinantes identificados para aquela
pessoa, família ou população em particular”.
BIBLIOGRAFIA
Alves, A.A.M., Rodrigues, N.F.R.
(2010). Determinantes
sociais e económicos da Saúde Mental. Revista Portuguesa de Saúde Pública
nº28(2), 127-131. Disponível em: http://hdl.handle.net/10362/98901
Oliveira,
P. (2020). Determinantes em saúde mental. In Sequeira & Sampaio (eds.),
Enfermagem em saúde mental: Diagnósticos e intervenções (64-66). Lidel.
Ordem dos Enfermeiros
(2018). “Regulamento n.º 515/2018. Regulamento de Competências Específicas do
Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica. Diário da
República, 2.ª série — N.º 151 — 7 de agosto de 2018. Disponível em: https://dre.pt/dre/detalhe/regulamento/515-2018-115932570
Presidência
do Conselho de Ministros (2021) “Decreto-Lei n.º 113/2021”. Diário da
República, 1º série, 240 (dezembro): 104 - 118. Disponível em: https://data.dre.pt/eli/dec-lei/113/2021/12/14/p/dre
WHO (2002). Strengthening mental health promotion. Geneva, World Health Organization (Fact sheet, No. 220). Disponível em: https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-strengthening-our-response
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