Promoção da saúde mental - primeira ajuda
Quer seja pelas características próprias da
doença mental, quer seja pelo estigma que a esta está associado, a procura de
ajuda por parte de quem necessita é muitas vezes adiada. Este adiamento pode
ter sérias repercussões, quer a nível do tratamento, quer a nível da
recuperação. Assim sendo é prioritário que os governos, invistam na promoção da
saúde mental e prevenção da doença, de forma a reduzir o estigma e a
possibilitar um tratamento adequado.
Um dos caminhos que se pode seguir para fazer
face a esta realidade, passa pela literacia em saúde e pela primeira ajuda em saúde
mental. (Sequeira, 2021)
A Organização Mundial
da Saúde (1998), define literacia em saúde como “o conjunto de competências cognitivas
e sociais e a capacidade dos indivíduos para acederem, compreenderem e usarem
informação de forma a promover e manter uma boa saúde”.
Kitchener et al (2017, cit por Costa, T.F.O.,
2019) refere que “A primeira ajuda em saúde mental pode ser definida como a
ajuda que alguém presta a favor de uma pessoa que está num momento de crise ou
a desenvolver um problema relacionado com a saúde mental, até que esta receba
ajuda profissional ou que a situação de crise seja ultrapassada/resolvida “.
Relativamente á
primeira ajuda em saúde mental, o que se pretende é que a comunidade desenvolva
competências básicas no sentido de estar capacitada para ajudar as pessoas em
crise e numa fase inicial do processo que antecede a doença mental. Não o
desenvolvimento de competências médicas. Os programas de intervenção em
Primeira Ajuda em Saúde Mental têm como objetivo capacitar as pessoas para o
reconhecimento de sinais, a valorização de sintomas, a valorização de
perturbações e crises relacionados com a saúde mental, assim como a prestação
de ajuda inicial adequada e o encaminhamento para os profissionais adequados. (Sequeira,
2021)
Tendo por base estes pressupostos, percebe-se
a importância de existir uma sociedade com mais conhecimentos acerca da doença
mental e com capacidade de agir adequadamente perante esta. Assim sendo,
considero que o enfermeiro especialista em saúde mental e psiquiátrica assume
nesta vertente um papel fundamental no que se relaciona com promoção da
literacia em saúde mental, junto da população como parte integrante dos
programas de primeira ajuda. Citando Costa et al. (2020, p238), no que se
relaciona com os dinamizadores destes programas, “estes têm sido descritos como
adultos, com formação especializada e experiência em saúde mental, dotados de
competências psicoeducacionais e com proximidade ao contexto de implementação.
Características possíveis de se encontrar num enfermeiro especialista em Saúde
Mental e Psiquiátrica, de acordo com o Regulamento nº515/2018(OE,2018)”.
Tal como descrito por Costa et al, (2020) os
programas de primeira ajuda em saúde mental, são dirigidos a leigos, estudantes
e profissionais de saúde, são realizados em grupo e podem ser presenciais ou
virtuais, existindo várias sessões que incluem diversos temas (primeira ajuda;
perturbações mentais; tratamentos disponíveis; estratégias de intervenção e de
autoajuda; prevenção; recursos existentes).
Ainda de acordo com Costa et al (2020), o
plano de ação que é proposto aos participantes no programa de primeira ajuda em
saúde mental é composto por quatro ações fundamentais:
Ø
Aproximação da pessoa
e avaliação da situação
Ø
Ajudar e incentivar o
uso de estratégias de autoajuda
Ø
Assistir na procura de
ajudas formais e informais
Ø
Autocuidado
Tal como descrito no regulamento nº 515/ 2018
da Ordem dos Enfermeiros, artigo 4º,
ponto1 d), publicado em Diário da República, 2º série-nº151 de 7 de agosto de
2018, uma das competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem
de saúde mental e psiquiátrica consiste em: “Prestar cuidados
psicoterapêuticos, sócio terapêuticos, psicossociais e psicoeducacionais,
à pessoa ao longo do ciclo de vida,
mobilizando o contexto e dinâmica individual, familiar, de grupo ou
comunitário, de forma a manter, melhorar e recuperar a saúde”.
Cada vez mais, se percebe que o futuro, exige
uma aproximação dos profissionais de saúde e dos programas referentes á saúde
mental, à comunidade.
BIBLIOGRAFIA
Costa,
T.F.O., Sampaio, F., Sequeira, C., Ribeiro, I. (2020). Primeira ajuda em saúde
mental. In Sequeira & Sampaio (eds.), Enfermagem em saúde mental:
Diagnósticos e intervenções (236-239). Lidel.
Ordem
dos Enfermeiros (2018). “Regulamento nº 515/2018”. Diário da República, 2ª
serie, 151(agosto): 21427- 21430. Disponível em: https://files.dre.pt/2s/2018/08/151000000/2142721430.pdf
Sequeira
C. (2021). Primeira ajuda em saúde mental: um contributo para uma sociedade
mais saudável. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool Drogas nº17(4),
4-6. Disponível em: doi: www.revistas.usp.br/smad/
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